Quinta-feira, Março 22, 2012

Bennyando


Fotografia By Lee Jeffrey

Poema de "Humberto Firmo[Calango do Cerrado] 
enviado via e-mail que, muito honrado, faço questão de publicar aqui.


A poesia e o poeta:
uma, um cântico marginal;
O outro, entre sinais linguísticos,
desvenda o que os outros ignoram.


Depois...


Dois soldados, eretos, em prontidão:
um, alimentando-se do que é carnívoro.
O outro, racional, cartesiano,
achando que Benny é euclidiano.


É preciso ter fúria e estômago,
pra sentir esse sopro que passa
por entre os tapumes.



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Segunda-feira, Março 05, 2012

Bafos de poemas pêcos



Fotografia By Lee Jeffrey



Para Joe Bennett
[Mago dos Desenhos em Quadrinhos]


I
Ah, Joe!
Vozes mal ejaculadas de poemas pêcos pelo silêncio
[Prostradas sob as impaciências dos lodaçais intermitentes]
Perdem-se nos filamentos dos gêmeos fazimentos.


Nesses tempos de rubras gérberas,
Após um trago, e quando a chuva cai apodrecida,
Desando a falar das mangueiras recheadas de ervas daninhas
Lambuzadas de bafos de azulejos ejaculados pelos casarões de Belém
Como punidas por serem glandes em jatos de gôzo,
Excrementos que jorram ao relento.


Comparado a Ti,
Sou um verme cult em quadrinho,
Símile coloração da verborragia vestida de lubricidade prematura,
Traspasse e rumor da antes-partida.


II
Ah, Joe!
Restos de sonhos expostos às rapinagens dos obituários tristonhos
E Flores baldias de falas indormidas
E Pensamentos e cortinas mangueirícias que se rasgam em pencas
Como domadas por asas desvirginadas,
São lumes de pétalas de alumínio e paralelepípedos de boulevards metafísicas
Que espelham faíscas renitentes em rostos impacientes.


Nesses tempos de gradação cheia de nódoas,
Após um trago, e vendo a manga amarelecer desmerecida,
Desprezo as fêmeas gargalhadas que cingem de féretros
A acidez da fúria.


III
Ah, Joe!
Vômitos sensíveis entopem meu cálice de nada.


Após um trago, e depois da algema recusar o gemido:


Quem chorará sobre uma sepultura sem pedigree?
Quem sairá para colorir as arquiteturas dos enganos?
Qual palavra se afugentará da pontiaguda superfície do verbo?
Qual Deus a Aurora Boreal balbuciará quando o poeta se for?


Aqui, Chopps Bennyanos gemam
à ilharga do ocaso,
Ultimam a tarde oferecendo enxames de orgasmos.


Aqui, Benjaminzeiros de carne e infinito
Não são páreos
Para suas criações carnívoras metamorfoseando-se às claras.


IV
Ah! Joe!
Monstros geniais são línguas insones
E flechas perpétuas abotoadas pelas lágrimas
Das laudas abandonadas.


Ilógicas e lunáticas,
As argamassas das tímidas crucificações
Penetradas por enormes mênstruos poéticos
Com langorosos betumes zunindo alucinadamente
Põem-se à peleja
E miram ventanias de vulvas peraltas
Como punidas
A estancar o sussurro das putas arreganhadas
Expostas à penetração do vazio.


V
Ah, Joe!
Os tempos são outros.


Nota do Autor:
Joe Bennett [Bené Nascimento] é paraense e desenhista exclusivo da  Major Americana DC Comics 



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Domingo, Fevereiro 05, 2012

Uivos reinventados


Fotografia By Lee Jeffrey

[Para Marven. Irmão-poeta de vida e sonhos.]

"Não há poema em si, mas em mim ou em ti."
[Otávio Paz]

I
Tempo; oh, tempo rude, oh!

Com um erguimento sem lógica
alçaste o poeta a céus de quartzo-magma. E os vômitos da antes-lauda rasurada
e os espinhos-fêmeos cravados em tumbas indormidas
são soluços que cabem em ti ― como cartase poética
onde cabem
burburinhos mortificados.

Tempo; oh, tempo rude, oh!

Como uma somatória de estrelas mal calculada
caíste em sarjeta de gramáticas torpes. E os efeitos da nervura da palma
e a torpe falação do reparte
e a flutuação verborrágica da após-partida
permanecem em ti
até que o lume da lágrima seja revestido de salivas assexuadas
e uivos reinventados;
até que o porvir da lauda hermafrodita
seja resguardado da agonia recozida
― como cárceres frígidos onde não cabem
olhares crucificados.

II
Tempo; oh, tempo rude, oh!

Covarde como uma mortalha pendente no santuário do medo
rasgaste o manto da coragem e amadureceste o sonho mal vingado.
Sim. O poeta é de sempre [oh, tempo indefinível!]:
o que faze tu hoje
é a mesma castração de verbo amargoso que fizeste em recurva conjeturada
sob calibre de açoite langoroso.

Tempo; oh, tempo rude, oh!

Agora o vômito
e o pingo da gôta de silêncio num poema baldio
para salvar o sacrifício poético da moenda solitária,
dos anéis de fumo infartado,
dos gôzos mui debulhados.

Lá fora
a evocação do fuzil ingênuo nos símiles das falações
― e a puta e a vidente e o jardineiro recolhendo
folhas do abandono.

Lá fora
o vergar da aurora nos tímpanos das algemas
― e o guru e o monge e o pedreiro reinventando
verbos-filhos do amanhã.

III
Tempo; oh, tempo rude, oh!

Sou e sou
a contradição amarga que [vos] toca
― o âmago!


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Quinta-feira, Dezembro 15, 2011

Viagem de buscar

Fotografia [In-certos destinos] By Ana Mokarzel

[Dedicado às memórias de "Sócrates" e "Léo" - dois paraenses da gema]

I
Era viagem ao centro de Mim
e ocorreria entre granitos e vômitos
― mas estive em pânico
para me ir viajar tão cedo
como um encurtado quartzo
em gôzo.

II
Não fosse o poema
[sombrear-se] em pedaços
Eu prostrar-me-ia aos pés de um fogoso estofo de vida
pelo muito fogo que gala.

III
E dar-me-ia a posição de Lótus
                          para as pernas
antes do Sol
que tende a coagular-se...

IV
E beijaria as mangabas do cajueiro,
                                        a cuba
da geleira manufaturada que nem madrepérola
                                               desvirginada...

V
E afrontaria o ânimo da foice,
o aço cirúrgico do bacio broxado,
o após-roxo da fala
que apenas com o fantasma do medo
[im]pediu-me
a fuga.


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